quarta-feira, 25 de abril de 2012

eres tú

Teu amor é paz interior e energia de transformação ao mesmo tempo. Acalma e acalenta, mas também faz revoluções dentro de mim, fazendo com que me conheça mais e conquiste novos papéis para minha vida. Contigo encaro qualquer briga, qualquer novo projeto que julguemos pertinente. Meu medo, tão costumeiro, torna-se coragem, uma coragem responsável e baseada em realidade. Teu amor é de carne e osso, mas totalmente espiritual. Me faz transcender, acreditar nas coisas boas da vida, confiar que nós podemos juntos construir um mundo melhor, uma realidade melhor. Contigo tenho pés no chão e olhos em um horizonte novo e desafiante. O horizonte que quisermos construir. Nossas limitações serão compreendidas, nossos erros serão trazidos à mesa e discutidos. Ninguém quer máscaras aqui, ninguém precisa mais de fantasias. Somos adultos, sabemos o que queremos. Temos acima da responsabilidade com a nossa relação, o desejo de sermos nós mesmos, com nossa individualidade e nosso compromisso com sonhos e desejos pessoais. Teu amor é absurdamente carinhoso...me faz querer tua pele por perto o tempo em que for possível estar ao teu lado. Teu amor tem gosto de uma tarde de sol, simples e esplêndida ao mesmo tempo. Nosso amor é verdadeiro, do nosso jeito, transparente e com uma realidade que traz tranquilidade por nos fazer sempre encontrar semelhanças na maneira de pensar o mundo e tomar decisões. Contigo vou longe. Contigo sonho mais alto. Contigo experimento uma felicidade serena e sincera.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Da ordem dos furacões

Tsunamis, abalos sísmicos, furacões e tornados. Assim como a natureza tem a sua classe de intempéries causadoras de mudanças avassaladoras, a vida e os relacionamentos também têm. Mudança de emprego repentina, morte, demissão do trabalho e da vida amorosa. Fins em conta gotas ou fins devastadores. Todo o final é perturbador. Todos os fins nos tiram pedaços e nos fazem retornar a nossa forma primária, a nossa constituição de minério de ferro e não mais ao diamante lapidado que achávamos que tínhamos nos tornado.

Tornados na vida causam tristeza, arrancam certezas. E vamos dizer que deveríamos estar preparados. Vamos dizer que piscamos o olho, que baixamos a guarda e levamos um direto. Mas a verdade é que nada poderia ter evitado essa mudança. Assim como nos fenômenos climáticos, nem as previsões meteorológicas podem evitar que recebamos rajadas de vento de 200km/h. Podemos até prever...mas não podemos evitar, na maioria das vezes.

Buscar culpados, questionar “onde é que eu errei”, tudo isso, para mim, é dispensável. A pergunta certa é “como posso acertar”? O que, ao meu alcance, pode ser mudado? A vida deixada na mão dos outros fica frágil demais. Em muitos momentos teremos que nos entregar para viver...confiar no amor, confiar na segurança que ele traz, confiar na estabilidade do salário mensal para investir em uma casa em um carro...mas quando o tsunami vier a nossa única defesa será o que realmente somos e as nossas possibilidades. Nós mesmos e nossa flexibilidade. Nós mesmos e nosso amor-próprio. Nós mesmos e nossa vontade de se reinventar.

George Cloney em seu papel em Amor sem Escalas repete uma frase que, aos ouvidos de alguém que está no olho do furacão, parece uma bela de uma desculpa esfarrapada. Uma frase sem sentido frente à dor de uma perda (no caso do filme, a perda do emprego). “Todo mundo que já construiu um império, ou mudou o mundo, passou pelo que você passou agora. E é porque eles passaram por isso que foram capazes de fazê-lo”. Eu teria vontade de quebrar a cara dele se estivesse sentindo que meu chão havia se destruído debaixo dos meus pés, mas a cruel verdade é que ele está certo. Bons socos e tempestades da vida, seja por nocaute e com rajadas de vento destruidoras, nos fazem crescer e se reconstruir.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

echando de menos

Teve um tempo em que a saudade foi dolorida. Trazia um gosto amargo na boca, uma mão de ferro apertando o peito, pensamentos perdidos e diminuidores. Tempos de tempestade, de mar agitado...era posse, era vontade de estar no controle. Amor de verdade traz uma saudade que dói também, mas é mais madura, carinhosa...uma saudade que é declarada, que não tem vergonha de existir e nem prejudica a gente. Saudade de ver o brilho daqueles olhos que a gente quer, sentir se nesse tempo em que a distância corporal existiu nada se alterou. Saudade dos corpos juntos, de permitir aquele fluxo de energia que a gente troca com quem ama.

Saudade domada é boa...nos traz certezas, nos traz conhecimento de nós mesmos, nos traz gás para seguir em frente. Não que um amor tenha que ser provado às distâncias...mas porque um tempo de suspiro, de reflexão, nos permite um reencontro com nós mesmos e consequentemente com o nosso ideal de amor.

Sentir saudade é positivo sim. Se ela te enlouquece, te põe fora de si, algo pode estar errado. Se ela te embala num diferente ritmo mas que não te tira os pés do chão, é um bom sinal. Sinal de que estás em ti antes de tudo e a falta da pessoa é apenas um doce sinal de que existe uma forma melhor ainda de se viver. Não porque estar sozinho é angustiante ou impossível, mas porque estar em companhia de quem se ama te adiciona e te completa. Simplesmente porque estar ao lado de quem se ama é mais.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

aquilo que chamam amor


O amor tem um jeito absurdo de entrar na vida da gente. Como aquele vento que antecede uma tormenta e entra em casa batendo janelas e derrubando o que está pela frente. Ele surpreende, ele te coloca em uma nova posição e te faz argumentar de forma completamente diferente as teorias antes desenvolvidas. Teorias? O que elas significam agora que a vida te colocou em frente a alguém que te seduz, verdadeiramente, pelo que é? Que te arranca o sorriso mais escancarado, assustadoramente sincronizado com o brilho que teus olhos lançam em direção àquela pessoa que até pouco tempo era um transeunte qualquer, numa rua qualquer, em um dia qualquer? Será que eu teria esbarrado em ti e sentido tudo isso há anos atrás?


Sabemos que não. O amor exige essa alquimia complexa, a combinação de tempo certo, química, pele, admiração desinteressada e desinfluenciada com uma pitada subjetiva e inexplicável de acaso. Além de todo esse lado emocional, a fórmula também requer ingredientes racionais. Ser parecido em valores, em objetivos de vida, gostar de programas parecidos e também ter diferenças saudavelmente posicionadas. Sim, as diferenças garantem a nossa individualidade. São a nossa ilha deserta para nós mesmos, porque todos precisam se curtir, se amar, sem precisar necessariamente ter alguém ao lado.


E os clichês começam a se confirmar. E você, que pensava que viveria muito bem uma vida solteira, rodeada de amigos e planos bem estruturados, e que estava verdadeiramente enxergando felicidade nessa possibilidade, sente instantaneamente que a vida pode ser bem melhor se você a dividir com alguém. Com aquele alguém, em especial. E o encanto todo dessa decisão é sentir que essa pessoa não está ali para completar você ou o espaço que antes estava vazio e só seria preenchido por alguém idealizado. Estar com essa pessoa é uma escolha. É um caminho que você quis seguir. Não porque não existiam outros, não porque suas pernas só agüentem aquele caminho, mas porque a vida fica bem mais colorida, feliz, segura e encantada, compartilhando seus momentos com alguém que, simplesmente, vale a pena.



“es contigo mi vida con quien puedo sentir que merece la pena vivir” Julieta Venegas - El Presente

segunda-feira, 25 de julho de 2011

e a receita era uma dose de rotina diária até o fim de seus dias


Quando criança eu pensava em desafios sofisticados, extremos, taquicardias, separações, euforias ou momentos de pânico transbordante. Eu acreditava que isso seria o mais difícil de superar, ou seja, o que é obviamente difícil de ser superado: morte, demissão, uma gravidez inesperada, uma puxada de tapete. Mas daí a vida te mostra que o que realmente faz o ser humano definhar é o que vem aos poucos. Lidar com a rotina é o desafio maior. Não meus amigos, eu não estou tirando aqui o peso das agruras da vida acima mencionadas. Elas realmente sacodem nossas estruturas. Mas lidar com elas no trivial do dia é o pior. Digerir o fim de um relacionamento nos anos subsequentes ao do dia do fim faz a data parecer algo pequeno. Superar a falta de um ente querido nas datas comemorativas que virão em família é mais dolorido do que a hora do enterro. Esse veneninho em conta gotas é o mais difícil de encarar. É o que mais arde na pele.

Assim como a rotina de controle diária a que um ser humano é submetido. E, muito importante, a rotina que um dia, aceitamos nos submeter. Não lembro de ter assinado nenhum contrato prévio com essas cláusulas, nem de terem me questionado se eu queria uma vida assim. Tenho quase certeza que teria escolhido aquele pacote da vida excêntrica de uma repórter de uma revista de turismo que precisa escrever sobre cada um dos dias que passa em diferentes partes do mundo. Ou o da nativa das ilhas do oceano índico, em contato com a natureza e num mundo bem menos capitalista. Uma marroquina super espiritualizada e apegada às suas tradições. Mas não vamos nos enganar, não é mesmo? Eu estaria reclamando de solidão no primeiro caso, alienação no segundo e opressão no terceiro.

Ou seja: o grande desafio é justamente esse. Conseguir ser feliz nas possibilidades que existem. Fazer essa tarefa diária de contrabalançar os pesos da vontade e das exigências que precisamos cumprir com nós mesmos. Sair da cama num dia de inverno, às 6h30min para ir na academia, dia após dia e criar essa disciplina. Comer o correto, comprar o que cabe no orçamento, poupar para o futuro, ter sonhos reais...

E mais uma vez, cá estou eu, repetindo o óbvio para garantir que ele não seja uma fase, mas uma realidade na minha vida. E haja anos de amadurecimento! A única certeza, é que o tempo faz muito bem àqueles que estão sempre abertos e dispostos a ser melhores (é claro que, quando falo “melhores” me refiro ao melhor dentro da realidade de cada um, não mirando a flecha no inatingível e vivendo da angústia de nunca chegar lá). E esse tema do inatingível já rende mais umas boas laudas de conversa com o editor de texto...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

adolescer


Quem não adolesceu fora do tempo ou de contexto, uma vez na vida, que atire a primeira pedra. Que faça a primeira crítica. Mas isso pode ter acontecido durante alguns segundos, em que você deixou de ter a responsabilidade que adquiriu em anos. Em uma birra descompromissada, ou quando fingiu ser um super-herói na vida real. E daí, já adolesceu? Pense, com certeza você já fez isso fora da faixa etária permitida para se agir de forma inconseqüente.

E se é pra falar, eu confesso: eu adolesci e tenho adolescido. E sabe que não tira pedaço e é um exercício construtivo? E o melhor: poder adolescer quando já se é maduro (entenda, os atos adolescentes aqui são um estado, o amadurecimento é um fato) faz a curtição ser uma coisa bem diferente. Existe uma segurança e um entendimento absurdo. Tu anda de mãos com teu superego e estabelece um diálogo tranqüilo, ao contrário de fugir e se esconder desse moço chato que tem o papel de toda hora relembrar das (in) conseqüências de teus atos.

Costumo agradecer à censura de minha mãe na maioria das vezes que ela foi meu superego quando eu era realmente, um ser adolescente. Mesmo tendo contribuído pela minha transformação em uma adulta um tanto medrosa e desconfiada, hoje vejo que ela fez muito certo. Criança e adolescente tem mais é que respeitar ordens. Seguir o trilho que ensinam. Essa coisa de que “pagam as tuas contas” e tu “nem sabe se limpar” é verdadeira. Como deixar um projeto de gente sair dando cartadas sem conhecer as regras do jogo?

Mas repressão, todo mundo sabe, não é o caminho. Se dar liberdade demais na hora de agir é ruim, dar liberdade e acesso ao conhecimento é bom demais! Não é preciso sair experimentando tudo sem preparo. Ler, perguntar, conhecer pessoas que já passaram por aquela situação, isso sim. Essa liberdade dá a capacidade de saber realmente, a hora de tentar. Entendam, não estou aqui dizendo que a gente se arrepende do que faz e que as vivências não são necessárias. Mas vivência com consciência é inteligência. Aquela máxima que diz que a gente só aprende levando na cara é verdadeira em parte, a meu ver. Eu acho que quem dá a cara à tapa demais é burro.

E daí tu vê as inconseqüências. Gente adulta que, de tanto se atirar na vida, acostuma a apanhar. E confunde coragem com imprudência. E tentativa com persistência no erro. Ser medrosa, não. Ser cautelosa, sim. Escolher em que briga entrar. Eu escolho meus adversários e me preparo pra luta. Não gosto de levar porrada de graça.

É esse adolescer maduro que a gente se permite ter. Uma atitude criançóide aqui, uma inconseqüência acolá. Pelo prazer do tentar só depois do saber, pela experiência de viver uma coisa nova sem se lanhar toda num chão de concreto. É ser trapezista com rede de segurança. E confesso gente, o prazer é ainda mais intenso quando somos seguros de quem somos.

terça-feira, 5 de abril de 2011

pensar e pesar

Coração acelerado há dias. Ele anda a galope dentro de mim. Olha pro lado, olha pra dentro e não sabe o que faz. Duas letras infames dançam suspensas por fios de nylon no meu estômago. Um “s” e um “e”. E se? E se você fizer errado? E se o outro caminho for melhor? E se você nunca descobrir o que tinha lá embaixo do buraco?

Enquanto foliões bebiam e se acabavam nas ruas e nos clubes, eu tive um Carnaval sem serpentina e confete. Eu tive dúvidas, eu analisei critérios exaustivamente. Porque disso depende a nossa vida. De nossas escolhas. Tentei jogá-las para onde pude. Questionei amigos, pessoas mais velhas, pai e mãe. Como uma boa jornalista ouvi diversas opiniões. E fiz a minha matéria expositiva. Esse vício de buscar a imparcialidade me torna um ser que caminha em cima do muro, mas que sente ímpetos de se atirar a todo o momento. Lançar-me ao novo é sempre um movimento mais natural do que o de permanecer. Só que antes de se jogar é preciso pensar e pesar. E isso é sempre penoso.

Aí é a hora da gente dizer aquela frase apaziguadora dos ânimos internos “O que tiver que ser vai ser”. A gente sempre “entrega a Deus” ou ao destino, a inevitabilidade dos fatos, o próximo passo. É como se livrar, sem receber a alcunha de covarde, é como não se responsabilizar pela conseqüência. Uma vez disse isso e recebi uma resposta rápida: “Não Clarissa, era para ser, para mim não existe. As coisas podem ser, porque construímos a possibilidade de serem, não concorda?” Sim, concordo. Mas não sou um ser cético e adoro pensar que há em nós, seres humanos, alguns fios de nylon (mais uma vez eles) e forças superiores que nos jogam para certos lugares. E mais uma vez, subo naquele muro. Não consigo ter uma opinião certeira. Odeio certo e errado, sim ou não. Prefiro dizer que, em se tratando de vida, há inúmeras forças agindo e nós somos o resultado daquelas em que acreditamos.